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Agência Internacional de Energias Renováveis propõe aceleração da transição energética e destaca importância da energia cooperativa

Agência Internacional de Energias Renováveis propõe aceleração da transição energética e destaca importância da energia cooperativa

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Eletrificação e eficiência como impulsionadores da transição energética, possibilitada por energias renováveis, hidrogênio e biomassa sustentável. Esse é o caminho proposto pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) no relatório World Energy Transitions Outlook 2022 – 1.5° C Pathway, para superar as crises energética e climática, como afirmou Francesco La Camera, Diretor-Geral da Irena, durante o lançamento do estudo, no dia 29 de março de 2022, no Diálogo de Transição Energética de Berlim:

“A transição energética está longe de estar no caminho certo e tudo que esteja abaixo de uma ação radical nos próximos anos irá diminuir, ou até mesmo eliminar as chances de alcançarmos nossos objetivos climáticos” 

O relatório de 348 páginas aborda a direção para que o mundo cumpra o Acordo de Paris. Em 2015, os signatários da Convenção Quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas concordaram em unir esforços para tentar limitar o aumento das temperaturas globais até 2050 a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Energia cooperativa

No capítulo 2, ao discutir as “Políticas para uma transição energética justa”, o relatório reforça a importância de os governos adotarem um conjunto amplo de medidas políticas para atingir a meta climática e destaca a participação das comunidades. “A energia comunitária – a participação econômica e operacional e a propriedade de cidadãos ou membros de uma comunidade em um projeto de energia renovável – pode desempenhar um papel importante na aceleração da implantação de energias renováveis, gerando benefícios socioeconômicos locais e aumentando o apoio público às transições energéticas locais.”

Para a Irena, os formuladores de políticas públicas deveriam facilitar a execução de projetos comunitários de energia, criar medidas financeiras para reduzir o risco de atividades iniciais e compensar os custos de capital. Também poderiam fornecer às comunidades acesso a financiamento acessível e de baixo custo. O relatório destaca que países como Alemanha, Dinamarca e Japão já contam com diversas formas de energia comunitária que incentivam a participação em projetos de energia renovável ao mesmo tempo que aceleram o desenvolvimento socioeconômico local.

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Ações adequadas até 2030

O Outlook 2022 alerta para a importância dos próximos oito anos para atingir o objetivo:

“Para alcançar a meta climática de 2050 são necessárias ações adequadas até 2030, com os próximos oito anos sendo críticos para acelerar a transição baseada em energias renováveis. Qualquer falha de curto prazo na ação reduzirá ainda mais a chance de permanecer no caminho para a meta climática de 1,5°C. A ação acelerada é uma estratégia sem arrependimentos e, quando cuidadosamente implementada, resultará em benefícios de uma transição energética justa e inclusiva” 

As crises pelas quais o mundo passa, agravadas em 2022, são ressaltadas pela Irena para mostrar a importância da ação. Com a guerra na Ucrânia, por exemplo, os preços de óleo e gás passaram a subir ainda mais. A pandemia de Covid-19 também tem dificultado os esforços de recuperação econômica, com os cidadãos cada vez mais preocupados com suas contas de energia. Além disso, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem em ambientes altamente vulneráveis às mudanças climáticas. 

“Esse caminho, que requer uma mudança maciça na forma como as sociedades produzem e consomem energia, resultaria em um corte de quase 37 gigatoneladas de emissões de CO2 por ano até 2050. Essas reduções podem ser alcançadas da seguinte forma: 1) aumentos significativos na geração e uso direto de energias renováveis baseados em eletricidade; 2) melhorias substanciais na eficiência energética; 3) a eletrificação de setores de uso final – por exemplo, veículos elétricos e bombas de calor; 4) hidrogênio limpo e seus derivados; 5) bioenergia aliada à captura e armazenamento de carbono; e 6) uso de última milha de captura e armazenamento de carbono”. (Confira no gráfico abaixo).

De acordo com o relatório, as energias renováveis deveriam ser escaladas massivamente por todos os setores, dos atuais 14% da energia total atual até cerca de 40% em 2030. Dessa forma, as adições globais anuais de energia renovável triplicariam até 2030, conforme recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ao mesmo tempo, a energia do carvão deveria ser substituída, os ativos dos combustíveis fósseis eliminados e a infraestrutura atualizada.

Investimento de US$ 5,7 trilhões por ano

Para manter a temperatura nos níveis propostos, o relatório prevê necessidades de investimento de 5,7 trilhões de dólares por ano até 2030. “As decisões de investimento são de longa duração, e os riscos de ativos retidos são altos, portanto, as decisões devem ser guiadas pela lógica de longo prazo”, diz o documento. Além disso, a Irena aponta que 0,7 trilhões de dólares devem ser retirados dos combustíveis fósseis e redirecionados para tecnologias de transição energética. 

Os números podem ser considerados altos, mas devem trazer não só uma melhora energética como bem estar e benefícios para a população. Segundo o relatório, até 2030, a transição energética promete criar 85 milhões de empregos adicionais em relação a 2019 e resultará em aumento no Produto Interno Bruto (PIB) global. Isso compensaria as perdas de 12 milhões de empregos nas indústrias de combustível fóssil e nuclear.

Para isso também será fundamental investir em educação. “Atender à capacidade de recursos humanos necessária para preencher esses empregos recém-criados exige uma ampliação dos programas de educação e treinamento, bem como medidas destinadas a construir uma força de trabalho de transição inclusiva e equilibrada em termos de gênero. Embora o PIB global seja impulsionado sob a trajetória de 1,5°C, a análise apresentada no relatório revela que as variações regionais e nacionais dependerão muito de políticas e medidas regulatórias e fluxos cooperativos internacionais de assistência financeira e conhecimento.”

A Irena

A IRENA é a Agência Intergovernamental para a Transformação Energética global. Ela apoia os países em sua transição para um futuro energético sustentável e atua como a principal plataforma para a cooperação internacional, um centro de excelência e um repositório de conhecimento das políticas, tecnologia, recursos e conhecimento financeiro de energias renováveis. Tem 167 membros (166 estados e a União Europeia) e 17 países adicionais em processo de adesão. 

 

Autor: Maurício Frighetto (Instituto Ideal)  

Colaboração: Kathlen Schneider (Instituto Ideal) e Camila Japp (DGRV)

Publicado em 06/05/2022 


 Saiba mais 

World Energy Transitions Outlook 2022 – 1.5° C Pathway

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