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As cooperativas de geração distribuída no Brasil em números

Com base na pesquisa elaborada pela Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV)

 

Com o potencial de descentralizar, diversificar e descarbonizar o setor energético, as cooperativas de energia renovável têm se mostrado como um importante elemento na transição energética mundial. Na Alemanha, por exemplo, mais de 40% da geração de energia renovável é de propriedade das pessoas, gerando independência, participação, desenvolvimento e democratização energética.

No Brasil, a tendência não é diferente e a geração de energia renovável de maneira cooperativa e descentralizada vem ganhando destaque nos últimos anos. A geração compartilhada de energia renovável por meio de cooperativas de geração distribuída (GD) tornou-se possível em 2016 e foi a partir de então que essas iniciativas começaram a surgir no país.

Para conhecer o contexto, projetos e planos das iniciativas existentes, a Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV), em parceria com o Instituto IDEAL, realizou ao longo do ano de 2020 uma pesquisa com as cooperativas de GD compartilhada constituídas no país. Por entender a importância e o protagonismo das pessoas na geração e na escolha de energias renováveis, a pesquisa teve o objetivo de recolher insumos para desenhar ações de fomento, capacitação e disseminação desse modelo de negócio.

Foi, por exemplo, a partir das informações levantadas na pesquisa, que nasceu em 2020 a plataforma energia.coop . A plataforma tem o intuito de dar a devida visibilidade e entendimento do importante papel que os projetos comunitários de geração de energia renovável assumem na sociedade, bem como divulgar e compartilhar oportunidades. Além da plataforma, também está se organizando um Grupo de Trabalho das Cooperativas de Energia que tem por finalidade contribuir com a troca de experiências, o apoio mútuo e a representação e defesa dos interesses tanto das Cooperativas de Energia quanto de seus cooperados e cooperadas. Ambas as ações contam com o apoio e incentivo da DGRV.

Participaram da pesquisa 16 iniciativas oficialmente constituídas, que se distribuem por 10 estados brasileiros. Essas iniciativas ocupam todas as regiões do país, com destaque principalmente para as regiões Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). A região Norte foi representada por iniciativas no Amazonas e Pará; Goiás representou o Centro-Oeste brasileiro e a Paraíba representou a região Nordeste.

 

Distribuição regional das cooperativas de geração distribuída compartilhada entrevistadas

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Essas iniciativas somavam no total 21 usinas com aproximadamente 18,3 MW em operação, gerando créditos de energia para 9.074 unidades consumidoras dos seus cooperados e cooperadas. A energia solar fotovoltaica foi a tecnologia de geração de energia mais adotada, totalizando 16 usinas em operação com cerca de 7,7 MW de potência instalada. As Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) contabilizaram duas usinas de 4,4 MW de potência instalada, enquanto as duas usinas de biogás somaram cerca de 1,3 MW e a única usina de biomassa contabilizou sozinha quase 5 MW.

 

Cooperativas entrevistadas em números

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Cooperativas entrevistadas em números: Tecnologia, potência instalada e número de usinas. 

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Ao acompanhar o desenvolvimento dessas iniciativas ao longo dos anos, desde 2016 quando a modalidade de geração distribuída compartilhada foi regulada pela REN 687/2015 da ANEEL, observou-se que houve um maior número de cooperativas constituídas de 2018 para 2019, saltando de 7 para 12 iniciativas de um ano para o outro.

 

Constituição de novas cooperativas de geração distribuída compartilhada desde 2016 (valores acumulados)

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Em termos de potência instalada, notou-se nas iniciativas entrevistadas que o crescimento mais expressivo foi entre 2019 e 2020, quando a potência instalada praticamente triplicou, saltando de aproximadamente 6,5 MW para 18,3 MW. Esse crescimento na potência instalada se reflete também no aumento significativo de unidades consumidoras recebendo créditos de energia por meio dessas iniciativas, totalizando 9.074 unidades em 2020, praticamente 9 vezes mais do que no ano anterior.

 

Potência instalada pelas cooperativas entrevistadas de geração distribuída compartilhada desde 2016 (valores acumulados)

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Unidades consumidoras recebendo créditos de energia das cooperativas entrevistadas de geração distribuída compartilhada desde 2016 (valores acumulados)

Fonte: Pesquisa DGRV / Ano 2020

 

Esses números evidenciam o crescente destaque que essas iniciativas de energia cooperativa estão obtendo no país. Em 2021 a pesquisa continua! Se você representa uma cooperativa de geração distribuída compartilhada e gostaria de incluir sua iniciativa nesses números, escreva para saopaulo@dgrv.coop.

 

Autora: Kathlen Schneider

Revisão Técninca: Camila Japp

Publicado em 25/04/2021


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