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Panorama global sobre energias renováveis conforme relatório da REN21

 

Segundo o Global Status Report de 2021 publicado em junho pela REN 21, o setor de energia renovável sofreu os impactos da pandemia do Covid-19 de forma intensa na primeira metade de 2020. Comparado ao mesmo período de 2019, os números de novas adições e investimentos no setor tiveram resultados inferiores devido a fatores como interrupções e atrasos na cadeia de suprimentos, restrições à movimentação de mão de obra e mercadorias e leilões adiados ou cancelados. 

 

Panorama do setor de energia renovável 

Na segunda metade do ano, o setor retomou o crescimento, tanto a energia solar quanto a eólica cresceram em uma quantidade recorde de potência instalada, levando o setor de energia renovável a um recorde histórico de mais de 256 GW de capacidade anual adicionada. 

 

MERCADO DE ENERGIA RENOVÁVEL 

Dentre os mecanismos de suporte de mercado para novos projetos de energia renovável, leilões e licitações se tornaram muito comuns. Junto com reduções de custo significativas e contínuas em energia solar fotovoltaica e eólica, o crescimento dos leilões criou um ambiente de licitação altamente competitivo que colocou forte pressão no mercado que baixou os preços para projetos de energia renovável. 

No primeiro semestre de 2020, 13 países concederam cerca de 50 GW em nova capacidade, quebrando um recorde de capacidade leiloada. Quanto ao número total de países que realizaram leilões de energia renovável, este diminuiu durante o ano (de 41 para pelo menos 33), mas vários novos países realizaram leilões pela primeira vez. Observou-se que a mudança para leilões também reduziu a diversidade de participantes em alguns mercados, principalmente o envolvimento de grupos de energia cooperativa. 

Apesar das condições econômicas desafiadoras, países latino-americanos e caribenhos expandiram sua capacidade fotovoltaica. Devido a fatores como a abundância de incidência solar, preços em queda e políticas favoráveis em alguns países, as instalações em sistemas de geração centralizada aumentaram consideravelmente em 2020, com destaque para a Brasil (adicionando 3,1 GW, representando 68,6% a mais do que 2019), México (1,5 GW), Chile (0,8 GW) e Argentina (0,3 GW). O Brasil também ultrapassou o México em capacidade total instalada anual, que representa geração centralizada e geração distribuída, com 7,7 GW. 

 

MERCADO DE ENERGIA ELÉTRICA RENOVÁVEL NO BRASIL 

geração distribuída de energia solar no Brasil (definida por instalações até 5 MW) predominou no mercado de capacidade adicionada pelo segundo ano consecutivo. Além disso, liderou também em investimentos e criação de empregos, impulsionada por uma regulamentação nacional de net metering e pelo aumento dos preços da eletricidade acima das taxas de inflação. 

O relatório também comenta as mudanças propostas para a geração distribuída no Brasil, cujo processo foi interrompido devido ao foco de atenção para o combate da pandemia. Além disso, no país houve leilões públicos de energia para usinas de grande escala adiados, mas novas licitações (inclusive para energia solar fotovoltaica) foram programadas para os anos 2021-2023. Em março foi assinado o maior PPA solar, Power Purchase Agreement do Brasil para a usina Atlas Casablanca de 330 MW, que fornecerá eletricidade para operações de mineração anglo-americanas. 

Já em energia eólica, o Brasil em 2020 adicionou 2,3 GW de capacidade instalada em geração centralizada, o equivalente a três vezes as instalações do país em 2019, totalizando 17,7 GW. Assim como na energia fotovoltaica, leilões em 2020 foram adiados e, neste caso, agendados para 2021. A energia eólica foi responsável por 9,7% (56,5 TWh) da geração total de eletricidade do país em 2020. 

 

Energia cooperativa 

No relatório da REN21, energia cooperativa é definida como: 

“Uma abordagem para o desenvolvimento de energia renovável que envolve uma comunidade iniciando, desenvolvendo, operando, possuindo, investindo e / ou se beneficiando de um projeto de energia renovável.” 

Através de acordos de energia cooperativa as comunidades / cooperativas podem variar em tamanho e forma (por exemplo, escolas, bairros, governos municipais parceiros etc.); da mesma forma, os projetos variam em tecnologia, tamanho, estrutura, governança, financiamento e motivação. 

Políticas de suporte desempenham um papel crucial nesses acordos e incluem medidas de apoio ao autoconsumo, medição de rede virtual, várias formas de propriedade compartilhada de energias renováveis, incluindo a energia solar comunitária.

(Foto: Painéis fotovoltaicos instalados em telhados de unidades geradoras / consumidoras | Fonte: GSR REN21 / Ano 2021 )

 

Ao longo de 2020 o apoio a energias renováveis, mais especificamente na área de energia cooperativa, cresceu em pelo menos 5 países. 

Chile, ao longo de 2020, introduziu regras que possibilitam pessoas que possuem sistemas fotovoltaicos de pequena escala para autoconsumo de fornecer energia a vários consumidores, criando assim o conceito formal de “comunidades de energia” no país. Já, na França também surgiram atualizações na sua legislação para permitir que consumidores e produtores de energias renováveis criem comunidades de energia em redes de baixa tensão. 

Itália lançou um programa piloto que permite que residências, empresas e entidades públicas com sistemas fotovoltaicos em telhado de 200 kW ou menos possuam, gerem, vendam, armazenem e distribuam energia renovável. Com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento dessas comunidades de energia, o governo fornece uma tarifa de 20 anos de EUR 0,10 a EUR 0,11 (US $0,12 a US $0,14) por kWh de energia compartilhada entre os membros. A comercialização e armazenamento de energia renovável também se tornou possível em Montenegro, onde o excedente poderá ser vendido a terceiros, individualmente ou por meio da agregação a outros sistemas de geração. 

Holanda foi o quarto maior instalador de turbinas eólicas do mundo em 2020, adicionando quase 2 GW (contra 0,3 GW em 2019) resultando em um total acumulado de 6,8 GW. O projeto de Zeewolde de 0,3 GW tem previsão de ser concluído em 2021-2022 e é fruto do financiamento de uma cooperativa de 200 residentes, agricultores e outros investidores. Zeewolde deverá ser o maior parque eólico do país de propriedade da comunidade na Europa. O fato de ser estruturado pela comunidade ajudou a aumentar a aceitação social do projeto, facilitando o licenciamento e reduzindo o risco para potenciais financiadores. 

O governo holandês pretende aumentar a participação da comunidade em novos projetos eólicos e solares de apenas uma pequena fração da capacidade de energia eólica em 2020 para 50% até 2030. 

(Foto: Funcionário de usina de energia eólica | Fonte: GSR REN21 / Ano 2021)

Uma área que chamou a atenção no relatório é o seguimento da tendência de eletrificação de sistemas de aquecimento. Na Austrália, a capital australiana se comprometeu a apoiar diversos empreendimentos residenciais e comerciais totalmente elétricos, alguns dos quais incluíam a opção de participar de projetos de energia solar comunitária. 

Além dos países citados no relatório da REN21, muitos outros países estão atuando no setor de energias renováveis através de projetos de energia comunitária. Desde 2006 a Alemanha atua no setor, e hoje conta com 835 cooperativas de energia renovável, segundo pesquisa realizada pela DGRV – Confederação Alemã das Cooperativas. Já, no Brasil, a DGRV está realizando um trabalho de mapeamento das cooperativas de energia no país, as quais em 2020 possuíam 21 usinas e totalizavam 18,3 MW de potência instalada. 

 

O que é a REN 21 e o Global Status Report? (GSR) 

REN 21 surgiu em 2004 a partir da vontade de apoiar e acelerar o desenvolvimento das energias renováveis e é a única comunidade global de energia renovável composta por atores da ciência, governos, ONGs e indústria. A organização propaga conhecimento e proporciona debates acerca da temática através da divulgação de relatórios, estudos de caso e realização de eventos internacionais. 

“Nosso objetivo é permitir que os tomadores de decisão façam a mudança para as energias renováveis agora.” REN21

Os relatórios da REN 21, denominados Renewables 2021 Global Status Report (GSR), fornecem anualmente, desde 2005 números, fatos e tendências do setor de energias renováveis. Elaborados de forma colaborativa por mais de 1500 atores de diferentes áreas, os relatórios são fontes de informação confiáveis e amplamente aceitas ao redor do mundo. 

O relatório de 2021 foi divulgado no mês de junho com dados atualizados de 2020 sobre o setor. Todos os dados e informações estão disponíveis abertamente e gratuitamente para serem usados para defender um futuro de energia sustentável. 

 

Autora: Laís Cassanta Vidotto (Instituto IDEAL) 

Revisão Técnica: Kathlen Schneider (Instituto IDEAL) e Camila Japp (DGRV) 

Publicado em 02/08/2021 

 


Saiba mais 

Relatório completo da REN21 

Principais pontos de destaque do Brasil no relatório da REN21 

Pesquisa sobre cooperativas de energia na Alemanha 

Números da geração distribuída no Brasil 


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